Certamente, como ficou explícito no debate, arquitetura e roupa têm muito em comum. Ainda assim, certas diferenças podem ser pontuadas, sendo uma delas o que cada uma busca de certa forma conter, ocultar ou limitar. A roupa notadamente é um item de uso individual que visa de certa forma conter a nudez de nossos corpos, nitidamente vista como tabu na sociedade contemporânea. É dessa forma uma espécie de fronteira entre o íntimo e o externo, que pode ser selecionada a fim de passar as mais diversas informações. A arquitetura por sua vez divide espaços, criando, por exemplo, o público e o privado. A arquitetura portanto tem o poder de criar contextos de interação, hierarquia entre espaços e limites físicos que interferem diretamente na forma com que a sociedade funciona. Nesse sentido, ambas por mais que sejam diferentes parecem ser análogas, quase como se a roupa fosse uma espécie de arquitetura em escala reduzida de uso indivi...
Infinito ao cubo- Cantoni Crescenti A obra de Crescenti é interessante, por permitir que o expectador interaja diretamente com ela, experimentando um ambiente atípico propriciado pelas infinitas reflexões nos espelhos aliadas ao desequilíbrio. O autor se vale de uma lógica finalística, a de propor a simulação do infinito, o que é interessante, mas não chega a criar um contexto programático. A interface de interação é composta por molas aos pés da estrutura, agindo de forma reativa de acordo com a distribuição do peso dos envolvidos. Ainda assim, percebe-se certa interação dialógica a partir do momento em que o movimento interfere na formação das imagens, que passam por sua vez a estimular novas experimentações do envolvido, ainda que pouco possa realmente ser feito. Ha pouca virtualidade devido ao caráter finalístico, ficando o foco sobretudo na contemplação. Mesmo esta poderia ainda ter sido mais explorada, visto que o público rapidamente tende a banalizar...
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