Diferença entre arquitetura e roupa- Complementação

   Certamente, como ficou explícito no debate, arquitetura e roupa têm muito em comum. Ainda assim, certas diferenças podem ser pontuadas, sendo uma delas o que cada uma busca de certa forma conter, ocultar ou limitar.
   A roupa notadamente é um item de uso individual que visa de certa forma conter a nudez de nossos corpos, nitidamente vista como tabu na sociedade contemporânea. É dessa forma uma espécie de fronteira entre o íntimo e o externo, que pode ser selecionada a fim de passar as mais diversas informações. 
   A arquitetura por sua vez divide espaços, criando, por exemplo, o público e o privado. A arquitetura portanto tem o poder de criar contextos de interação, hierarquia entre espaços e limites físicos que interferem diretamente na forma com que a sociedade funciona.
   Nesse sentido, ambas por mais que sejam diferentes parecem ser análogas, quase como se a roupa fosse uma espécie de arquitetura em escala reduzida de uso individual. É interessante notar entretanto que a arquitetura acaba por se sobrepor em relação à roupa, a medida que contextos diferentes de interação entre as pessoas, (estes propiciados pela criação de espaços pela arquitetura) permitem ou mesmo condicionam determinados tipos de vestimenta. Como exemplo, tem se a seminudez como algo totalmente permitido em determinado espaço privado, mas algo criminoso em certos espaços de uso coletivo. Pode-se citar também a coercitividade das normas de vestimenta em determinadas instituições como em algumas escolas, e ainda certas condicionantes sociais do que é ou não aceitável de ser usado como roupa baseado nas premissas dos grupos inseridos em certos contextos.

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