Parágrafo sobre o texto "Animação Cultural" de Vilém Flusser
A Revolução Objetiva, por mais que se mostre absurda, por certos aspectos parece já estar em curso. Vários são os fatores que demonstram tal ideia. A objetificação do corpo humano pelos atuais padrões estéticos e a "morte" de culturas milenares produzidas por nós, seres humanos, para serem substituídas por uma cultura de massa —consumista, não reflexiva e materialista— são exemplos contundentes. Vivemos, como dito no texto, em função de nossas próprias criações: aparelhos de televisão, internet e celulares, por exemplo, são invenções das quais a esmagadora maioria não abriria mão, e se fossem assim obrigados, certamente sentiriam um vazio existencial enorme. Mais do que terem a função de entretenimento alienante, objetos como os automóveis intrincaram-se à rotina humana de uma forma que se assemelham a uma extensão de seus próprios corpos, sendo essenciais na rotina da maioria. Contudo, partindo do pressuposto de que objetos são seres inanimados, estaria a humanidade realmente escravizando-se em relação a sua criação, ou estariam os objetos sendo utilizados como meios de dominação, dos quais determinados grupos humanos se utilizam para ditar interesses particulares? A inversão da relação "homem-objeto" muito possivelmente seria uma potencial estratégia para enfraquecer o pensamento reflexivo autônomo, sendo uma mente acrítica muito mais maleável pela mídia, por um sistema, um governo.
Comentários
Postar um comentário